Esta nota continua I - Primórdios na Computação, permanece dentro de Histórias e ajuda a explicar partes do que aparece em Sobre.
Em 1995, ganhei meu primeiro computador — e não demorei nem um pouco para me jogar na internet. A conexão era via dial-up, num modem US Robotics, em sofridos 56 kbps quando muito. Era lenta, barulhenta, instável e, justamente por isso, mágica. Com a ajuda de um amigo, aprendi um pouco de IRC e logo comecei a explorar aquele universo.
O problema é que quase todo mundo por lá era gringo, e eu não falava inglês. A solução veio logo depois, com a aurora do ICQ. Migrei para lá com entusiasmo total. Passei a usar as buscas sem parar, adicionando gente da minha cidade, das cidades vizinhas e, em pouco tempo, praticamente meio mundo.
Foi nessa época que nasceu em mim um interesse repentino por “hackiagens”. Entrei de cabeça em fóruns, fiz amizades e comecei a circular naquele ambiente. Me envolvi com trojans e keyloggers — embora, sendo honesto, eu consumisse muito mais o que meus amigos faziam do que realmente criasse algo por conta própria, até porque meu conhecimento de programação ainda era bastante limitado.
Na escola, o ICQ virou febre. Todos os meus amigos passaram a usar, e aquilo se transformou em ritual: sexta-feira à noite, todo mundo esperando dar 00:00 para conectar pagando apenas um pulso telefônico. Era quase um evento social.
Mas, para mim, isso já começava a parecer pouco. Eu queria mais. E foi então que, em 1997, descobri a BRASnet, uma rede de IRC fantástica, voltada para usuários do Brasil. Ali, finalmente, encontrei meu lugar. Fiz dezenas de amizades, algumas tão fortes que continuam presentes na minha vida até hoje, em 2026.
Naquela época, eu usava alguma versão do Windows — provavelmente o Windows 95 já com suporte à internet —, mas a mudança estava chegando. Em breve, eu deixaria aquilo para trás. O próximo passo seria inevitável: eu iria para o GNU/Linux.
Talvez seja por isso que certas obsessões ainda reapareçam hoje em Agora e no modo como monto o Laboratório. O passo seguinte dessa trilha aparece em III - O Primeiro Código, quando a curiosidade finalmente encontra o primeiro programa. Depois disso, vale voltar a Histórias ou abrir a Visão Geral dos Projetos para ver como isso se espalha em repertório público.