Esta nota continua II - O Amanhecer da Internet, permanece dentro de Histórias e registra o ponto em que curiosidade técnica virou, pela primeira vez, código escrito por mim.
Devia ser novembro de 1997, ou algo muito perto disso. Eu caminhava pela galeria da minha cidade, que, para dar um ar mais sofisticado ao lugar, insistiam em chamar de shopping, quando parei diante da única livraria que existia ali. Como eu sempre fui apaixonado por livros, entrei sem pensar duas vezes.
No meio de tantas prateleiras e seções, uma me fisgou de imediato: a de informática.
Dois livros, em especial, saltaram aos meus olhos. De um deles eu infelizmente já não lembro o nome; doei há muitos anos. Era sobre GNU/Linux, tinha capa branca e o Tux estampado na frente. O outro eu nunca esqueci. Era enorme, caro, imponente e trazia na capa um título que, sem que eu soubesse naquela hora, mudaria muita coisa: Borland Delphi 3.
Saí dali radiante, com os dois livros guardados na mochila como quem carregava um tesouro. Os adultos me lançavam olhares curiosos, quase desconfiados. E não sem motivo: devia ser uma cena estranha mesmo, um menino de 10 anos andando por aí com livros técnicos debaixo do braço e uma curiosidade maior do que ele.
Do livro de Linux, confesso, eu não entendi quase nada. Mas o Delphi me devolveu alguma coisa. Ou melhor: me entregou uma porta de entrada.
Foi com ele que consegui fazer meu primeiro programa. Era rudimentar, totalmente inútil e, ainda assim, maravilhoso. Uma janela simples, com nove botões organizados em uma grade 3x3; cada clique fazia a janela mudar de cor.
Não era grande coisa. Mas, para mim, era tudo.
Aquilo não diminuiu em nada a minha empolgação, pelo contrário. Eu queria mostrar para todo mundo o que tinha conseguido fazer. Construir coisas, escrever código, ver uma ideia ganhar forma na tela: aquilo deixou de ser só curiosidade e virou diversão.
E, sem que eu percebesse, também virou começo.
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