Esta nota abre a trilha de Histórias e funciona como uma das portas de entrada mais importantes deste arquivo. Ela conversa com Sobre para dar contexto humano, com Agora para mostrar o que ainda ecoa no presente e com o Laboratório para lembrar que certas obsessões não começaram ontem.
Como tudo começou.
Acho que meu primeiro contato com um computador aconteceu em 1992 ou 1993. Se a memória não me trai, foi em um dos incríveis PCs do meu tio Dirceu.
Eu achava o máximo o tio Dirceu: um TI old school, provavelmente fã de BBS. E foi com ele que veio a minha primeira aventura digital, jogando o lendário Prince of Persia. Aquele instante, diante da tela, foi como nascer de novo — senti entusiasmo, curiosidade e passei dias sem conseguir tirar a máquina da cabeça.
Essa foto de 1995, com meu primo e eu ao lado do computador na casa de um tio, guarda bem o espírito dessa fase: a máquina ainda parecia quase um artefato mágico.
Curioso eu já era por natureza. Meus pais viviam me dando bronca porque eu passava o tempo abrindo aparelhos eletrônicos, desmontando tudo para tentar entender como funcionavam — e, mesmo sem entender muita coisa, ficava ali, admirando cada peça.
Mas, no dia a dia, meu contato mais próximo veio com o 486 de uma tia: Windows 3.1, e um universo inteiro para explorar. Eu me divertia abrindo o Paint e encarando o Campo Minado — afinal, eu era só uma criança, por volta dos cinco anos.
Este era o tipo de máquina que ocupava minha imaginação naquela época:

Ir à casa do tio era quase motivo de briga: eu queria ir de qualquer jeito, só para dar início às minhas “obras-primas” no Paint.
Acho que foi assim que começou a minha história com a computação — um encontro precoce com suas maravilhas, que até hoje não deixou de me puxar para perto.
O passo seguinte dessa memória aparece em II - O Amanhecer da Internet. Se você quiser ligar essa origem ao presente, vale saltar depois para o Laboratório.